Ficha Técnica: Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro

Atualizado: 18 de ago.

Estilo Arquitetônico: Neogótico
Data: 1927 a 1934
Localização: Rio de Janeiro, RJ | Brasil
Autor do Projeto: Presb. Ascânio Viana (projeto atual)
A Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro é especialmente interessante para a história da arquitetura protestante no Brasil porque sua história se confunde, em grande medida, com a própria implantação e consolidação do presbiterianismo brasileiro. E há uma distinção importante: a igreja foi fundada em 1862, mas o edifício atual é da primeira metade do século XX.
A origem da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro remonta ao trabalho do missionário norte-americano Ashbel Green Simonton, que chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1859. Enviado pela Presbyterian Church in the U.S.A., Simonton estabeleceu-se no Rio de Janeiro e iniciou o trabalho missionário que daria origem à Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 12 de janeiro de 1862, foi organizada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, considerada a primeira igreja presbiteriana organizada no Brasil.
A congregação passou inicialmente por diferentes locais de reunião. Durante os primeiros anos, Simonton e seus colaboradores concentraram esforços não apenas na evangelização, mas também na formação de uma estrutura institucional para o novo movimento. Em 1865, por exemplo, foi organizado o Presbitério do Rio de Janeiro, primeiro presbitério presbiteriano do país, e José Manuel da Conceição, ex-padre convertido ao protestantismo, tornou-se o primeiro ministro brasileiro ordenado pela nova denominação.
Em dezembro de 1870, a congregação adquiriu o terreno onde posteriormente seria construído seu primeiro templo próprio. A construção foi conduzida durante o pastorado de Alexander Latimer Blackford, cunhado de Simonton e seu sucessor na liderança da igreja. O templo foi inaugurado solenemente em 29 de março de 1874, na então Travessa da Barreira, tornando-se o primeiro templo construído especificamente para uma congregação presbiteriana no Brasil.
Esse primeiro edifício, contudo, não corresponde à construção que vemos atualmente. Nas primeiras décadas do século XX, a igreja já necessitava de um novo espaço. Em 22 de agosto de 1926, assumiu o pastorado da igreja o Rev. Mattathias Gomes dos Santos, que tomou a iniciativa de substituir o antigo templo por uma construção de maiores proporções. Para isso, foi convidado o engenheiro e presbítero Ascânio Viana, responsável pelo projeto do novo edifício.
A escolha arquitetônica recaiu sobre o neogótico. Segundo a documentação histórica da própria Catedral, foram consultadas fotografias de templos e catedrais europeus e americanos como referências para o projeto. A arquitetura do edifício também é tradicionalmente associada à Catedral de Saint-Pierre, em Genebra, importante símbolo do protestantismo reformado e conhecida como a “Igreja de Calvino”. A relação com Genebra é particularmente significativa para uma igreja presbiteriana, pois estabelece uma referência arquitetônica diretamente ligada à tradição reformada.
A construção começou na segunda metade da década de 1920 e prolongou-se por aproximadamente oito anos. O edifício foi inaugurado em 15 de maio de 1934, embora ainda faltassem alguns elementos de acabamento previstos no projeto original, entre eles partes das torres, vitrais, pavimentação e elementos da decoração interna. A documentação dos Correios também registra 1934 como o ano de inauguração da Catedral projetada por Ascânio Viana, destacando seus traços neogóticos.
Do ponto de vista arquitetônico, o edifício apresenta características bastante marcantes do neogótico: planta em forma de cruz, arcos ogivais, composição verticalizada, duas torres, pináculos e uma grande rosácea central com vitral. O projeto possui uma linguagem deliberadamente monumental, bastante distinta da relativa simplicidade arquitetônica encontrada em muitos dos primeiros templos protestantes brasileiros: por exemplo, seus vitrais possuem palavras, versículos, grafismos, signos, mas não apresentam imagens de santos e das Pessoas da Trindade.
Há ainda um elemento interessante no espaço externo da Catedral: diante do templo encontra-se um conjunto escultórico dedicado à memória da presença reformada francesa no Brasil e à primeira Ceia protestante celebrada em território brasileiro, realizada em 10 de abril de 1557 durante a experiência da França Antártica. O monumento procura estabelecer uma continuidade simbólica entre aquela primeira experiência calvinista no Rio de Janeiro e a posterior implantação permanente do presbiterianismo no país.
A própria Catedral conserva, portanto, uma dupla importância: histórica, por ser a primeira igreja presbiteriana organizada no Brasil e um dos principais centros da implantação do presbiterianismo nacional; e arquitetônica, por constituir um dos exemplos mais expressivos de arquitetura neogótica associada ao protestantismo reformado brasileiro. Ela representa, desse modo, não apenas um edifício religioso, mas um dos principais testemunhos materiais da história do protestantismo de tradição reformada no Brasil.
Referências bibliográficas
IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. [S. l.]: Igreja Presbiteriana do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://www.ipb.org.br/conteudos/425/igreja-presbiteriana-do-rio-de-janeiro.
IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Sobre a IPB. [S. l.]: Igreja Presbiteriana do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://www.ipb.org.br/sobre-a-ipb.
INSTITUTO MOREIRA SALLES. Catedral Presbiteriana. Acervo IMS. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, [s.d.]. Fotografia de Augusto Carlos da Silva Telles, década de 1970. Disponível em: https://acervos.ims.com.br/index.php/Detail/objects/49758.
INSTITUTO RIO PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE. Guia de patrimônio cultural carioca: bens tombados. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: Guias do IRPH.
RIO CIDADE MARAVILHOSA. Catedral Presbiteriana do Rio. Rio de Janeiro: Rio Cidade Maravilhosa, [s.d.]. Disponível em: https://www.riocidademaravilhosa.com.br/oquefazer/templos/catedralpresbiteriana/.



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